Cada geração de consoles Nintendo recebe um grande título Mario voltado para aquilo que ele sabe fazer melhor, não sendo jogar tênis, nem golf, nem fazer uma festa com os amigos, e sim uma aventura em plataforma. O Nintendo Entertainemt System, mais conhecido como Nintendinho aqui no Brasil recebeu os Mario Bros, e em especial Super Mario Bros 3, um dos maiores best sellers da companhia e bastante revolucionário na época. Depois o Super Nintendo ganhou Super Mario World que firmava a fórmula e elevava o que tinha sido criado no console anterior, só que com gráficos mais polidos e jogabilidade melhorada. Talvez o mais revolucionário de todos estivesse por vir, com o Nintendo 64 chegava mais um, dessa vez totalmente em três dimensões, marcando o inicio de uma nova era de gráficos e jogabilidade, possíveis graças á capacidade do Nintendo 64 em reproduzir ambientes 3D com louvor e do novíssimo sistema de controle que utilizava uma alavanca analógica para o movimento do personagem, o que possibilitava maior realismo e precisão durante a jogatina. No GameCube a grande aventura de Mario chegou depois de alguns meses do lançamento do console, o jogo trazia vastos mundos a serem explorados e gráficos jamais vistos antes em um jogo Mario. Agora que o Wii já foi lançado e faz sucesso, é mais do que natural que Mario tenha sua grande aventura no mais novo console da Nintendo, e a hora é agora!
Super Mario Galaxy chega para Wii depois de quase um ano após o lançamento do console, e é a grande aventura de Mario desde Super Mario Sunshine. Várias novidades são colocadas na mesa. O jogo coloca mais ênfase nas raízes de um jogo em plataforma, é extremamente fácil perceber o quão linear é Galaxy comparado aos seus antecessores em 3D, é praticamente impossível se perder, os caminhos estão todos delineados de uma forma levemente mascarada. Primeiramente, há vários observatórios pelo jogo, em cada um desses observatórios você pode ver galáxias, e em cada uma dessas galáxias há uma série de planetas dos quais é onde você vai aventurar-se, cada galáxia tem seu tema, clássicos como galáxias de gelo, fogo e lugares aquáticos marcam presença; enquanto outras são mais híbridas e algumas até difíceis de distinguir um tema específico. O interessante é perceber que dependendo da estrela escolhida, certas partes da galáxia ficam acessíveis, enquanto outras não, por isso você não perde tempo tentando achar-se pelo estágio.
Além da linearidade, o que dependendo do ponto de vista pode ser um fator positivo ou negativo, o jogo também se mostra fácil. A dificuldade cai consideravelmente se comparado à Super Mario Sunshine, e somado ao fato de ser extremamente mais linear acaba também sendo mais fácil que Super Mario 64, refletindo a onda casual que a Nintendo está pegando. A maioria dos planetas acaba dando-lhe apenas o trabalho de fazer pequenas tarefas para passar para o próximo, e isso seria algo que desapontaria o jogador se não fosse um detalhe importantíssimo, as tarefas são dificilmente desprazerozas ou entediantes.
A diversão proporcionada pode ser comparada à de um jogo de plataforma em 2D, uma vez que mesmo sendo um jogo em 3 dimensões, ele tem uma alma 2D. É só pegar o controle e ir aventurando-se através do jogo, sem preocupações de ficar muito tempo parado pensando no que fazer, ou preocupado-se com a história. Afinal a história, mesmo estando ali, vai passar despercebida pela maioria dos jogadores, o ponto forte dos jogos Mario nunca foi ter uma épica e bela história, a história principal é um clichê da série. Numa noite de um festival chamado Star Festival, Mario é convidado através de uma carta da princesa para ir ao castelo (isso lhe traz lembranças, não traz?), e quando chega ao castelo Mario depara-se com uma cena típica, o malvado Bowser seqüestrando a princesa do Reino do Cogumelo; mas não só a princesa, dessa vez ele leva o castelo inteiro, decidido a criar uma nova galáxia no centro do universo. Estranhamente a história mais aprofundada do jogo chama mais a atenção, é sobre uma garota chamada Rosalina que percorre o universo com seus amiguinhos, os Luma. Nada incrivelmente detalhado, mas pode ser até um pouco interessante se dada a devida atenção.
Graficamente o jogo é belo, cenários altamente detalhados, coerência temática, vários efeitos luminosos fazem excelente contraste com a escuridão do universo. O jogo é extremamente colorido, e embora não seja possível vê-los em alta definição, o que seria um espetáculo. Pode agradar até aqueles que esperavam demais, possivelmente os melhores gráficos que o console tem a oferecer no momento. É incrivel como a Nintendo pôde criar uma atmosphera espacial tão bem feita que serve na série Mario como uma luva, obviamente os pequenos efeitos luminosos e brilhantes do jogo ajudam muito em fazer com que os cenários não sejam o típico ambiente espacial visto em outros jogos ou filmes do gênero; o que certamente traz uma personalidade ao jogo, e faz com que ele seja único.
A trilha sonora, mais uma vez, foi muito bem composta. Lindas e memoráveis músicas vão embalar a aventura. Novas composições juntam-se a remixes de antigos temas clássicos de outros jogos Mario, e dessa vez, finalmente, uma orquestra tocou as músicas! E o resultado não poderia ter ficado melhor, as composições, em sua maioria compostas por Mahito Yokota, acabam sendo um dos pontos fortes do jogo. Os efeitos sonoros soam com perfeição; muitos deles clássicos como o som do Mario ao conseguir um cogumelo vermelho, ou ganhar uma vida extra. Sem falar que alguns sons são emitidos pelo alto-falante embutido no controle, o que valoriza a experiência proporcionada. A dublagem faz seu papel, uma vez que não foi feito uma dublagem completa, de fato, apenas algumas palavras são proferidas durante todo o jogo pelos personagens, a dublagem acaba sendo apenas para instigar nossa imaginação de como deveria ser a voz de determinado personagem no resto das falas, que são feitos por caixas de diálogos; se formos pensar no assunto, alguns jogos não devem receber dublagem completa mesmo, e Mario é um desses jogos.
Os movimentos do Mario são naturais, mas em alguns momentos parece que eles foram “arredondados”, tirando assim um pouco da precisão; precisão extra que faltou na hora de atirar os pedaços de estrelas. O sensor de movimento trabalha de duas formas principais aqui: com um cursor na tela que serve pra pegar pedaços de estrelas mesmo estando longe do personagem ou em lugares inalcançáveis; e atirar, podendo assim, atordoar certos inimigos, facilitando o trabalho na hora de acabar com eles. O sensor também executa o “spin”, que serve como ataque, e como auxílio na hora de grande pulos; para executá-lo basta mover o wiimote de uma forma brusca para alguma direção; dificilmente deve-se ter problemas com isso, o movimento responde muito bem ao ato de sacudir o controle. Os outros botões trazem movimentos antigos, o bom e velho botão de pular (A), para agachar, etc. A única falta fica por conta do botão de ataque, que era caracterizado pelo botão “B” nos Mario 3D, todos os movimentos decorrentes do uso deste botão estão anulados, como o pulo seguido de mergulho, que faz falta em certos momentos, tornando o “spin” seu único movimento realmente ofensivo.
A câmera é controlada pelo direcional digital, ou assim era pra ser, afinal grande parte do jogo você não poderá controlá-la, tirando a precisão e a liberdade do jogador em certos momentos. Talvez este seja um caso de tentativa de voltar ás raízes que não tenha dado certo, a liberdade de visão num jogo de plataforma 3D é crucial. Nadar também é um problema, não nadar em si, o problema fica por conta de quando você precisa de mais precisão, pra atingir alguma coisa na água ou pegar algo; na verdade se formos pensar num todo, nadar melhorou consideravelmente desde Super Mario Sunshine, mas em Super Mario 64 costumava ser mais prazeroso controlar o personagem na água, e com bem mais precisão.
O conceito criado neste jogo talvez seja seu maior atrativo, aqui você brinca com a gravidade. Enquanto estiver em um planeta, geralmente você pode dar a volta nele, e literalmente, ficando de ponta cabeça na tela, o que dificulta quando for fazer algo como acabar com algum inimigo por exemplo. Não será difícil você se ver em situações que o colocam jogando em um lugar totalmente invertido em sua televisão, o que pode até dar tontura ou um certo desconforto no começo, mas depois de um tempo jogando isso passa a ser natural e muito divertido.
Mario pode assumir outras formas durante a aventura, com a clássica flor de fogo ele poderá soltar bolas de fogo quando o wiimote for balançado bruscamente. Agora também foi implementada a flor de gelo, que faz com que Mario possa esquiar e congelar a água à sua volta, possibilitando “wall kicks” em cachoeiras por exemplo. Ele também pode se transformar em abelha para voar por alguns segundos e grudar-se em fileiras de mel; em mola, possibilitando o alcance a lugares altos e em fantasma (Boo), tornando possível o ato de levitar e atravessar grades. Há até mesmo uma estrela especial que faz com que Mario voe, diferentemente do que acontecia com o “wing cap“, dessa vez ele pode voar de verdade.
Também há um modo multiplayer, é um modo de co-operação entre dois jogadores no máximo. Basicamente o que o segundo jogador faz é facilitar a vida do primeiro, entre o que o segundo jogador pode fazer, estão: coletar pedaços de estrela; atordoar inimigos, fazendo o ato de pular em cima deles menos complicado; atirar pedaços de estrela mesmo em situações em que o primeiro jogador fica impossibilitado; manipular certos objetos; segurar projéteis, bullet bills, bolas de canhão, pedras, chomps, bolas elétricas, entre outros, o que ajuda fazendo com que você acabe focando-se em seu objetivo principal e deixando as tarefas secundárias de defesa para o segundo jogador. Há também as ações de quando aperta-se o botão “A” em cima do personagem, dependendo da situação podem acontecer três ações distintas: a primeira é quando ele está no chão normalmente, daí acontece que os personagem pula; a segunda é quando o botão é apertado enquanto ele está no ar, fazendo ele dar um giro (spin); e a terceira, inédita de quem joga em dois jogadores, acontece quando ambos os jogadores apertam ao mesmo tempo o botão em cima do personagem, resultando em um super pulo. De fato há bastante coisas em que o segundo jogador pode auxiliar na aventura, porém ele fica um tanto quanto em segundo plano, e não controla diretamente um personagem, mas para um jogo desses, um modo multiplayer é um extra e dispensável; é apenas bom saber que ele está ali, e pode até ser divertido se duas pessoas quiserem mesmo tirar proveito dele.
Um conceito muito bem construído, controles bem calibrados, sendo fácil executar os movimentos, com respostas rápidas e, na grande maioria das vezes, precisas. Músicas completamente lindas, gráficos brilhantes e detalhados, uma atmosfera excelente e uma aventura digna do encanador italiano mais famoso do mundo fazem deste um dos melhores jogos desta geração. Também um dos melhores jogos Mario já criados, e com certeza o que muitos proprietários do Wii estavam esperando!
Nota Final – 9.6